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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Índios Ka`apor que bloquearam a BR em Nova Olinda, se revoltam com FUNAI por vetar participação dos mesmos em conferência indigena

Os índios Ka`por não conseguiram confirmar participação na Conferência Nacional em Brasília. Segundo os mesmos, o motivo se deu graças a falta de consideração da FUNAI no Maranhão que vetou a participação da etnia durante a etapa regional da Conferência de Política Indigenista, realizada na cidade de Imperatriz.
Em resposta a negativa da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), os indígenas afirmam que foram "punidos" e repreendidos com tal atitude, por estarem simplesmente defendendo seus direitos e seu território, ainda que seja a base de manifestações como a que ocasionou o bloqueio da BR 316 no trecho correspondente ao município de Nova Olinda do Maranhão há semanas atrás.

Os Ka`apor emitiram uma nota de repúdio sobre o ocorrido, confira a nota completa abaixo:
“Nós, os Ka’apor, fora da Conferência Indigenista!"

O governo anunciou uma conferência indígena para este ano e nós desconfiamos. Por que uma conferência promovida pelo governo se nossas florestas e nossas lideranças estão caindo todos os dias por causa dos madeireiros, fazendeiros que apoiam este governo? Para quê uma conferência, se estamos ameaçados em nosso próprio território e o Estado não é capaz de defender e proteger nossos territórios, nossas lideranças indígenas e dar respostas para nossas demandas? Pra gente continuar organizados, protegendo nosso território, nós decidimos reunir nos dias 18, 19, 20 e 21 e 28 e 29 de julho em nosso Centro de Formação Saberes Ka’apor onde estudamos, debatemos, escrevemos e apresentamos à sociedade o que queremos que essa Conferência nos traga. Mas o veneno do dinheiro continua corrompendo o governo, alimentando também os madeireiros na região de Zé Doca e serrarias do Maranhão. E nossas florestas voltaram a ser atacadas, ramais de estradas de madeireiros foram abertos, nossas lideranças perseguidas e ameaçadas de morte e as serrarias mudaram de local para fugir da fiscalização, os mandantes e assassinos de nossa liderança Eusébio Ka’apor continuam impunes. Não podíamos ficar parados, decidimos fechar a BR 316 para chamar a atenção de todos e dizer que o crime no Maranhão tem mais força que a Justiça. Não tivemos mais apoio da Funai para proteger nosso território. Fizemos isso pra mostrar que estamos organizados e vigilantes em defesa de nossas florestas. Ficamos surpresos quando a gente lutava por nossos direitos pensando numa conferência que possa dar resposta efetiva aos nossos problemas e garantir nossos direitos, a Funai do Maranhão cumprindo sua função de órgão do governo, manobrou na conferência de Imperatriz e impediu que nós pudéssemos ter vagas para participar da Conferência Nacional de Política Indigenista. Fomos punidos e agredidos em nossos direitos de defender nossa palavra, porque decidimos defender nossas florestas. É dessa forma que a Funai resolve os problemas indígenas no Maranhão, infelizmente não aparecem nos documentos oficiais. Queremos dizer que vamos mais uma vez debater essa violação do nosso direito e decidir o que fazer e comunicamos que não será a Funai que dirá se podemos ou não participar de uma Conferência que é antes de tudo indígena. Pedimos apoio de nossos parentes para mais essa luta! Conselho de Gestão Ka’apor, Conselho das Aldeias”. Do Cimi.

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