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sábado, 13 de dezembro de 2014

Papa diz que cachorros vão para o céu e cria polêmica com teólogos

O Para Francisco deu esperança aos gays, aos casais não casados e aos defensores da teoria do Big Bang. Agora, ganhou o carinho dos donos de cachorros, dos defensores dos direitos dos animais e dos vegans.
Ao tentar consolar um garotinho triste pela morte de seu cachorro, Francisco disse em recente aparição pública na Praça de São Pedro que "o paraíso está aberto a todas as criaturas do Senhor".
Embora não esteja claro se as declarações do papam ajudaram a confortar o menino, elas foram bem reconhecidas por organnizações como a Humane Society e a People for the Ethic Treatment of Animals (PETA), que as viram como repúdio da teologia católica conversadora segundo a qual animais não podem ir para o céu porque não têm alma.
O resultado pôde logo ser verificado nas associações de defesa dos animais. “Minha caixa de mensagens ficou lotada”, disse ao jornal The New York Times Christine Gutleben, diretora da Sociedade Humana, maior grupo de proteção animal dos Estados Unidos. “Quase imediatamente, todo mundo estava falando sobre isso”.
Mencionando passagens bíblicas que não só afirmam que os animais vão para o céu mas se dão bem com os demais animais ao lá chegar, Francisco foi citado pela mídia italiana como tendo declarado que "um dia veremos nossos animais de novo na eternidade de Cristo. O Paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus".

Charles Camosy, professor de ética cristã da Universidade Fordham, em Nova York, considera difícil saber com precisão o que Francisco quis dizer, uma vez que ele falou “em linguagem pastoral que não é realmente feita para ser dissecada por acadêmicos”. No entanto, questionado se as palavras do sumo pontífice haviam provocado debate sobre se os animais têm ou não têm alma e vão ou não vão para o céu, respondeu sem relutar: “Com certeza”.

Contudo, teólogos advertiram para a animação em torno da fala de Francisco. “Todos nós dizemos que haverá uma continuidade entre este mundo e um mais alegre no futuro, mas também uma transformação”, disse ao jornal britânico The Guardian Gianni Colzani, professor emérito de teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. “O equilíbrio entre as duas coisas é que nós não estamos em condição de determinar. Por esta razão, eu acho que nós não devemos fazer o papa dizer mais do que ele disse”.

O Corriere lembra que o tema é recorrente na Igreja Católica, e que o papa Paulo VI teria consolado um menino pela morte de seu cachorro dizendo que “um dia, vamos rever nossos animais na eternidade de Cristo”. Por outro lado, o papa Bento XVI disse em uma homilia em 2007 que “em outras criaturas que não são chamadas à eternidade, a morte significa apenas o fim da vida sobre a Terra”.

Vegetarianismo – O debate também envolve certa dose de oportunismo, com Sarah Withrow, diretora da organização pró-animais Peta, dizendo que as palavras de Francisco podem influenciar os hábitos de consumo dos católicos. “Eu não sou uma historiadora católica, mas o mote da Peta é que os animais não são nossos, e os cristãos concordam com isso. Os animais não são nossos, são de Deus”, disse ao NYT.

Dave Warner, porta-voz do Conselho Nacional de Produtores de Suínos, rebateu: “Como aconteceu com outras coisas que o papa Francisco disse, seus comentários recentes sobre todos os animais irem para o céu foram mal interpretados. Eles certamente não significam que abater e comer animais é pecado”.


Fonte: Revista Veja e Portal UOL

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