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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Primeiro governador eleito pelo PC do B no Brasil, Flávio Dino afirmou em entrevista ao Folha de São Paulo que fará revolução burguesa no Maranhão

O governador eleito do Maranhão, Flávio Dino, diz que seu partido, o Partido Comunista do Brasil (PC do B), ajudará a promover uma “revolução burguesa” no Maranhão “com 300 anos de defasagem”. “Esse é o nosso desafio, fazer uma revolução democrática burguesa”, disse ele em entrevista ao programa Poder e Política da Folha e do “UOL”. “Garantir o cumprimento da lei, dos contratos, incentivar os investidores privados, novas formas de organização do Estado que contemplem a participação popular, mas que permitam também de outro lado o desenvolvimento daqueles que querem empreender, querem investir”. Advogado, ex-juiz e ex-deputado federal, Dino tem 46 anos. Quando tomar posse em 1º de janeiro de 2015, vai encerrar cerca de 50 anos de hegemonia de um grupo político no Maranhão. Desde quando José Sarney, hoje com 84 anos, foi eleito para governar o Estado, em 1965, exceto por breves períodos o comando local sempre esteve com algum sarneysista. Flávio Dino receberá o governo das mãos de Roseana Sarney, filha de Sarney. Ele afirma que o comunismo professado pelo PC do B é usado mais como uma referência por causa do significado etimológico do termo. “O nome é bonito. Corresponde a uma história que nós temos muito orgulho. Carrega em si a origem etimológica de comunhão, de comunidade, de comum, de coisas boas. O comunismo foi muito estigmatizado no mundo por desacertos de outros países. Defendo o nome e seu uso agora, com flexibilidade, compreendendo que a sociedade hoje não pode se estruturar como se imaginava há 100 ou 50 anos”. Para o governador eleito, as administrações das últimas décadas no Maranhão tiveram “medo do capitalismo” porque haveria nesse sistema a “concorrência, o livre mercado, o fim a privilégios de castas ou de estamentos que explicavam esse poder absoluto que eles [família Sarney e seus aliados] ostentavam durante esse período”. 
Dino rejeita a ideia de que será o “Deng Xiaoping do Maranhão”, o grande reformador comunista da China atual. Mas diz apreciar a frase sempre atribuída ao líder chinês que adotou políticas próximas às do mundo capitalista para tirar o país da miséria: “Não importa a cor do gato. Importa que ele mate o rato”. Único governador eleito pelo PC do B até hoje, Dino declara não pretender fazer uma devassa nas administrações anteriores do Estado. Mas afirma que abrirá ao máximo os negócios do Maranhão a um sistema mais transparente, que mostrará tudo o que se passou e como será a administração de 2015 em diante. Sem prometer de maneira específica, disse que espera elevar o IDH do Maranhão (hoje o 2º pior entre os Estados) para algo próximo da colocação do PIB do Estado (o 16º do país). Ao comentar o voto de José Sarney no segundo turno da eleição presidencial -em Aécio Neves (PSDB), como mostraram imagens da TV Globo no Amapá,embora Sarney negue-, Dino disse que a atitude revela o ressentimento de seu adversário por ter sido derrotado politicamente no Maranhão. “Uma espéciede retaliação íntima, pessoal, a isso que ele atribui à falta de apoio dapresidenta Dilma”.

Contribuição: Jornal Folha de São Paulo

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